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Região Saloia pretende afirmar a sua identidade e melhorar a sua notoriedade

Com base nos recursos endógenos, existem condições para iniciar um processo de marketing territorial que permita afirmar a região saloia e alavancar o desenvolvimento económico e a criação de emprego. Esta foi a principal conclusão da Conferência Temática SALOIA®- QUE MARCA?, promovida pela A2S – Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Região Saloia que decorreu no passado dia 13 de dezembro na Quinta de Sant’Ana, no Gradil, em Mafra em que participaram cerca de 100 atores locais e que contou com vários especialistas e académicos da área das marcas e do marketing territorial e com a presença do Secretario de Estado do Desenvolvimento em Coesão.

Na sessão de abertura Joaquim Sardinha, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Mafra e da A2S agradeceu a presença de todos os participantes e fez um agradecimento especial a todos os oradores, em particular a James Frost, proprietário da Quinta de Sant’Ana, que acedeu ao desafio de acolher a conferência.

Joaquim Sardinha salientou a importância da temática da conferência e manifestou o desejo de que as comunicações e o debate fossem inspiradores para o desenvolvimento da região saloia.

Opinião também partilhada pelo Presidente da A2S, António Pombinho, que referiu que “mesmo sem existir formalmente, existe já uma marca saloia, fortemente ancorada na região, em que todos se revêm de forma praticamente unânime”.

De acordo com o Presidente da A2S “talvez tenhamos condições ímpares para criar um processo de marketing territorial que permita afirmar a nossa região, alavancando o desenvolvimento económico e a criação de emprego”.

Destacou também que a A2S, através de duas candidaturas ao Portugal 2020 garantiu cerca de 5,5 milhões de euros que vão permitir, pela primeira vez, apoiar pequenos investimentos nas zonas rurais e costeiras da região saloia no âmbito da denominada abordagem LEADER, até 2020, tendo já aprovado os primeiros oito projetos que perfazem um investimento total de cerca de 650 000 euros e vão gerar cerca de dez postos de trabalho.

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António Pombinho – Presidente da A2S

António Pombinho, Presidente da A2S, manifestou a disponibilidade para, em parceria com os diversos atores e entidades, discutir e trabalhar um processo de marketing territorial para a região saloia, alargando-o mesmo a outros concelhos e entidades que não fazem parte da parceria ou do território de intervenção daquela associação.

No primeiro painel subordinado ao tema “Explorando as oportunidades para o desenvolvimento de produtos e serviços”, moderado por Fernando Brandão da revista Boa Cama, Boa Mesa do jornal Expresso, James Frost, britânico radicado há vários anos em Portugal, apresentou a história e as atividades da Quinta de Sant’Ana, uma empresa familiar que se dedica à produção de vinho, mas que tem diversificado a sua atividade desenvolvendo também enoturismo, alojamento em espaço rural e vários tipos de iniciativas, com destaque para casamentos e eventos corporativos. Estas atividades são, segundo James Frost, essencialmente procuradas por estrangeiros e representam uma parte significativa das receitas da Quinta.

Fernando Brandão – Boa Cama, Boa mesa – Expresso

João Portugal, do Turismo de Portugal salientou a necessidade de combater a sazonalidade do turismo. Apresentou o projeto Portuguese Trails que está a ser desenvolvido na região do Algarve e que pretende criar um destino para prática de atividades em bicicleta e passeios pedestres, produtos com potencial de procura internacional, essencialmente na Europa em países como a Alemanha, Reino Unido ou os Países Nórdicos, mas também no Canadá, Estados Unidos e Brasil. Este é um produto que poderá vir a ser alargado a todo o território nacional, incluindo a região saloia, que apresenta excelentes características para a prática destas atividades.

Por seu turno Jorge Humberto, da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa salientou os números “impressionantes” do crescimento turístico verificado na região de Lisboa, sublinhando que a região saloia deve conseguir “ganhar alguma coisa com isso”. Para o efeito, salientou a importância do estabelecimento de parcerias e criação de redes entre os atores locais e sugeriu que a A2S deve assumir um papel de destaque nesta matéria, referindo que a associação “deve ser a casa comum” onde os atores locais possam concertar estratégias.

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1º Painel – “Explorando as oportunidades para o desenvolvimento de produtos e serviços”

Reinventar as marcas de destino associadas ao espaço rural, valorizando os recursos endógenos dos territórios é, segundo Antónia Correia, docente da Universidade Europeia uma forma e aumentar a visibilidade, diferenciação e a atratividade das regiões.

Para ilustrar esta realidade a docente revelou estar a desenvolver, com estudantes universitários, a elaboração de propostas para o desenvolvimento de projetos baseados na “valorização do património natural e cultural através do turismo comunitário”.

No painel denominado “A Região marca? – Explorando a importância do marketing territorial e da marca da região.”, igualmente moderado por Fernando Brandão, Cláudia Domingues da Inovcluster, salientou que “o marketing territorial é uma forma de influenciar o público para que tenha comportamentos positivos em relação aos produtos e serviços de uma determinada região” e que os territórios “incluem pessoas, cultura, história e património”.

A Inovcluster, ao colocar em rede diversos atores do setor agroalimentar tem permitido introduzir inovação nos produtos tradicionais e efetuar investimentos que conduzem à internacionalização de pequenos negócios. De acordo com Cláudia Domingues a criação de clusters é uma forma dos “pequenos poderem ombrear com os grandes”.

Jorge Sampaio, da Rota da Bairrada, criticou as políticas de turismo que têm sido seguidas nos últimos 16 anos, em particular a proliferação de marcas territoriais que implicam investimentos avultados e que têm duração bastante curta.

Criticou igualmente o planeamento turístico a curto prazo que tem sido seguido, manifestando que as estratégias de turismo devem ser pensadas “pelo menos a 10 anos”.

Face à concorrência internacional, Jorge Sampaio referiu que a estratégia nacional de promoção turística deve centrar-se na marca “Portugal”.

Referiu ainda que a um nível inferior há espaço para estratégias regionais e, no âmbito destas, para estratégias municipais, salientando que é necessário o trabalho e a articulação em rede entre os diversos atores.

Jorge Sampaio

Jorge Sampaio – Rota da Bairrada

Os turistas viajam para destinos para experimentar produtos locais de qualidade. Esta foi a mensagem deixada por José Borralho da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia.

Segundo o responsável daquela associação, o turismo gastronómico é “uma atividade que obriga a viajar para lugares específicos para comer e beber produtos produzidos localmente” e está atualmente em expansão.

José Borralho referiu ainda que “a comida é o resultado de uma identidade e representa toda uma cultura” e que a construção de produtos turísticos baseados na gastronomia deve combinar gastronomia com temas como a arquitetura, as artes, a natureza, a religião, história ou a música.

Apresentou também os resultados de um estudo realizado recentemente a turistas que visitam Portugal no momento do check in e do check out, tendo sido verificado que os resultados no momento de check out são mais positivos, o que é indiciador que “Portugal tem uma oferta de qualidade, capaz de surpreender positivamente o turista”.

Carlos Coelho, especialista em gestão de marcas, salientou o potencial existente em Portugal ao nível dos produtos e serviços que, devidamente trabalhado ao nível do marketing, pode constituir uma importante fonte de desenvolvimento económico. Apresentou os exemplos do peixe português, considerado o melhor do mundo, ou da indústria do surf. Referiu igualmente que a promoção da marca do país “não é apenas orgulho nacional, mas uma questão de identidade com impacto no crescimento económico”.

Os pequenos negócios, segundo Carlos Coelho, “têm qualidade e são exclusivos” e têm capacidade para serem “marcas micro-multinacionais”.

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Carlos Coelho

Na sessão de encerramento da conferência Hélder de Sousa Silva referiu que existe “orgulho em ser saloio” e que será necessário apostar na afirmação da região saloia.

Corroborou também a ideia que devem ser estabelecidas parcerias fortes, de forma a evitar a proliferação de pequenas marcas sem expressão.

Por fim, o Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nélson de Souza salientou a importância dos processos coletivos de desenvolvimento territorial, em que as Associações de Desenvolvimento Local como a A2S assumem um papel decisivo.

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Nélson de Souza

Manifestou também a sua disponibilidade para agilizar os procedimentos necessários para que os fundos comunitários destinados a este tipo de processos coletivos possam ser aplicados no desenvolvimento dos territórios.

Inserida no programa da conferência decorreu também uma mostra de produtos locais da região saloia, onde se evidenciaram o queijo fresco, os vinhos DOC de Colares e Bucelas e do concelho de Mafra, o pão e a doçaria tradicioniais.

A conferência SALOIA® – Que marca? foi uma iniciativa promovida pela A2S e que contou com o apoio da Câmara Municipal de Mafra, da Quinta de Sant’Ana, da CENINTEL, da Enorport United Wines, da Adega Regional de Colares, da Queijaria Lactifeita, da Fábrica de Trouxas da Malveira, da Titi, da Padaria Pereira e Leitão, lda, e da Pão Real – Pani-Mafra.

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Mostra de produtos da região saloia